Renda fixa e renda variável
O nome “renda fixa” promete uma coisa e entrega outra. Ele fixa alguma coisa, sim — mas não o que quase todo mundo imagina, e a diferença aparece no dia em que você precisa vender.
Fêr UlianovAbertura · 14 s
Embaçada de propósito. Ela diz que um papel caiu e que ninguém perde. As duas coisas são verdade.
Ou você vira sócio, ou você empresta
Existem duas maneiras de pôr dinheiro numa empresa — ou num país — e elas são completamente diferentes. Na aula 01 você virou sócio: comprou um pedaço, e ganha se a coisa der certo. A outra é emprestar: você entrega o dinheiro, e a outra parte se compromete a devolver com juros.
Quem empresta compra um título. O papel diz três coisas: quanto será devolvido, quando, e quanto de juros paga no caminho. Nada disso depende de a empresa ir bem — depende só de ela conseguir pagar.
Os títulos do Tesouro americano são a renda fixa mais citada do mundo. Vêm em três prazos, com nomes diferentes: até um ano são bills; de dois a dez anos, notes; vinte ou trinta anos, bonds. Os dois últimos pagam juros a cada seis meses; o primeiro não paga juro nenhum — é vendido por menos do que vale no vencimento, e o ganho é a diferença.
O que a renda fixa fixa — e o que ela não fixa
Imagine um título que devolve US$ 1.000 daqui a dez anos e paga US$ 40 por ano no caminho. Isso está escrito e não muda nunca. É isso que a renda fixa fixa: o que você recebe se segurar o papel até o fim.
Só que amanhã podem lançar títulos novos pagando mais. Aí ninguém quer o seu, que paga menos, pelo mesmo preço — e o preço dele cai até que comprar o seu renda o mesmo que comprar um novo. É por isso que preço e taxa andam ao contrário. Arraste e veja as duas coisas ao mesmo tempo.
- Juro que o mercado paga hoje
- Preço do seu título, se vender hoje
- O que você recebe se segurar até o fim
Emprestar por mais tempo costuma pagar mais
Emprestar por dez anos é mais arriscado do que emprestar por dois: mais tempo para acontecer alguma coisa. Por isso o normal é que o prazo mais longo pague mais. Desenhar a taxa de cada prazo lado a lado dá a curva de juros.
Quando a curva fica invertida — emprestar por dois anos pagando mais que por dez — algo se inverteu na cabeça do mercado: ele espera juro mais baixo lá na frente, e juro mais baixo costuma vir quando a economia esfria.
Vale saber por que essa palavra aparece tanto, e vale saber o limite dela: a curva invertida <strong>apareceu antes de várias recessões americanas</strong>. Isso é uma coincidência que se repetiu, e não uma relação de causa e efeito — a curva não provoca recessão nenhuma, e já inverteu sem que viesse uma.
Agora leia a frase
É a mesma do começo, sem o embaçado. Toque em cada parte destacada.
Cinco pedaços
Cada parte destacada esconde um conceito. Toque em uma delas.
Cinco toques e a frase acabou.
Se entendeu isto, a aula cumpriu o que prometeu
- Ação é sociedade; título é empréstimo. Credor recebe antes de sócio.
- A renda fixa fixa o que você recebe no fim, não o preço do papel amanhã.
- Preço e rendimento andam ao contrário — são o mesmo fato dito de dois jeitos.
- Curva invertida é o prazo curto pagando mais que o longo.
Fêr UlianovFecho · 25 s
Material educativo. O título do exemplo, as curvas e todos os números são ilustrativos e redondos, com juros anuais para a conta ficar visível — nenhum é cotação. O que é estrutural, como os prazos e os nomes dos títulos do Tesouro americano, vem de fonte oficial. Não é recomendação de compra ou venda.